terça-feira, 26 de julho de 2011

Grupos angolanos entram em cena no FESTLIP 2011

Os representantes angolanos ao Festival de Teatro da CPLP FESTLIP 2011, que decorre desde quarta-feira última, no Rio de Janeiro, Brasil, começaram já a dar o ar da sua graça no referido evento.


Ontem, o Elinga Teatro levou à cena, na Sala Multiuso do Espaço SESC, a peça “O Armário e a Cama”, última obra deste reconhecido grupo e que estreou este ano em Luanda.

Trata-se de uma peça dirigida por Rogério de Carvalho que, segundo a sinopse, narra a história de um triângulo amoroso “onde nada é o que parece, explorando conflitos entre casais e os seus melhores amigos”.

“Uma comédia sobre os equívocos do amor e da amizade”, como diz o texto, escrita pelo dramaturgo José Mena Abrantes que é igualmente director do Elinga. A peça que tem duração de uma hora e 15 minutos é interpretada pelos actores Anabela Vandiane, Vírgula Capomba, Adorado Mara, Cláudia Mazolelua e Nelson Odalisca.

“O Armário e a Cama” volta a ser apresentada hoje, no mesmo palco, assim como a 30 e 31 de Julho, os dois últimos dias desta que é a quarta edição do FESTLIP.

Quanto ao Henrique Artes, o segundo representante de Angola no evento que teve início anteontem, o grupo estreia-se já amanhã, no SESC Tijuca, com uma das suas obras de maior referência, “Hotel Komarka”.

A peça, segundo a sinopse, narra a história de sete detidos que vivem emoções e paixões dentro de uma cela onde o medo e a coragem pela sobrevivência andam de mãos dadas.

Conscientes das dificuldades, os detidos lutam para, a todo o custo, se evadirem da cadeia, não temendo, portanto, a réplica e o aparato de segurança.

Escrita e dirigida por Flávio Ferrão, responsável do grupo, “Hotel Komarka” que foi criada em 2008 é uma peça já conhecida de muitos brasileiros que tiveram a oportunidade de assistir a exibição do Henrique Artes em 2010, na Amostra Latina de Teatro de Grupo, realizada em Abril, no São Paulo.

A peça que apresenta como actores Silvio Emerson, Adilson Vunge, Benjamim Ferrão, José Maria, Raul Lourenço, Samuel Viegas, Ailton Silveiro, Naed Branco, Suelma Mario, tem duração de uma hora e 30 minutos. A mesma volta à cena domingo, dia 24, e quinta-feira próxima, dia 28 de Julho.

O FESTLIP, realizado pela Talu Produções e que este ano vai já na sua quarta edição conta ainda com a participação dos grupos Sikinada Companhia de Teatro, Companhia de Teatro Solaris e Raiz di Polon (de Cabo Verde), Kuvona Moçambique, Lareira e Companhia de Teatro Kudumba (de Moçambique), Peripécia Teatro e Mundo Improviso (de Portugal), bem como o grupo ABRAPALABRA Creacións Escénicas, da Galícia, região do Norte de Espanha, convidada no âmbito do lema do Festival para este ano Amigos da Língua Portuguesa.

Para além destes, participam grupos locais como o Centro de Teatro do Oprimido e Íntima Cia de Teatro, ambos sedeados no Rio de Janeiro.

De referir que, tal como aconteceu nas edições passadas, o Festival vai homenagear um grupo e, para este ano, o reconhecimento recai para o grupo cabo-verdiano Raiz di Polon que recebe assim o trofeu FESTLIP 2011 pelo seu contributo ao teatro que já leva 20 anos.

O evento que termina dia 31 de Julho (domingo da próxima semana) está a decorrer no Teatro Carlos Gomes, Espaço SESC, SESC Tijuca, SESC Rio Casa da Gávea, Teatro Ziembinski e Caixa Cultural – Teatro Nelson Rodrigues.



Vladimir Prata

26 de Julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

Vumbe significa “Espíritos” em kikongo


Vumbe é o nome da mais recente obra discográfica de Hélder Mendes, músico angolano. O Artista pretende colocar o álbum no mercado discográfico, no próximo mês de Agosto, o mais tardar em Setembro.

Interpretado em kikongo, kimbundu, umbundu, fiote, kwanyama e tchokwe, o CD Vumbe, cujo título significa “Espíritos” em kikongo, pretende ser um contributo para a valorização, preservação e maior divulgação das línguas nacionais.

Hélder Mendes acha que “é preciso apostarmos nos ritmos nacionais e em temas que elevem a cultura angolana, principalmente agora, que estamos numa fase de reconstrução, na qual cada trabalho feito para dignificar o país é bem-vindo”.

As canções em “Vumbe”, falam das festas do nascimento de uma criança, as punições aplicadas aos transgressores das normas nas aldeias e os complexos e tabus culturais existentes em certas regiões do país. Destacou ainda a necessidade de se explorar mais a riqueza de estilos do país, particularmente os ritmos pouco divulgados de algumas regiões.

Para Hélder Mendes ainda existe em Angola, particularmente no seio dos jovens, um certo complexo em relação às línguas nacionais, que precisa ser alterado com urgência, “para que a sua riqueza, expressa nos contos de tradição oral, adivinhas e anedotas não se percam no seio de uma geração cada vez mais globalizada”.

Com 13 faixas, as canções de “Vumbe”, foram produzidas pelo espanhol Kiki Gamero e contou com a participação de instrumentistas estrangeiros conceituados, como o saxofonista espanhol Mário Contreias, o guitarrista francês Paul Buttin, o teclista espanhol Rafael Arregue e o trompetista espanhol Ângelo Moreno, assim como o cantor sueco John Palson e a corista angolana Cláudia Gonçalves.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Elinga Teatro e Henrique Artes representam Angola


Os colectivos de teatro Henrique Artes e Elinga Teatro irão representar Angola na quarta edição do Festival de Teatro da Língua Portuguesa, a decorrer de 20 a 31 do mês que hoje começa, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. De acordo com o programa, o Colectivo Elinga Teatro exibir-se-á nos dias 21 e 22, às 20 horas, no Espaço Sesc Sala Multiusos, com a peça “O Armário e a Cama”, escrita por José Mena Abrantes, uma comédia sobre os equívocos do amor e da amizade.

É a história de um triângulo amoroso onde nada é o que parece, explorando conflitos entre casais e seus melhores amigos. Criado em 1988, o grupo tem como tema, o resgate e a promoção da cultura angolana, através de uma visão de tratamento moderno dos seus valores tradicionais.

Já o Henrique Artes que passará pelo palco do Tetaro Sisc Tijuca, igualmente às 20 horas, nos dias 23 e 24, irá exibir a peça “Hotel Komarka”, uma comédia que se desenrola à volta de uma cela onde sete detidos revivem as suas emoções, sonhos e aventuras.

É um espectáculo com uma linguagem aberta, sem tabus, com cenas chocantes e muito humor. Conscientes das dificuldades, os presos lutam a todo o custo para se evadirem da cadeia, não temendo a réplica e o aparato policial.

Fundado em 2000 num colégio técnico pré-universitário de Luanda, o Henrique Artes é constituido por jovens que apresentavam projectos de realce para um futuro artístico brilhante, tendo começado a trabalhar arduamente e a investir nos seus actores, exibindo sucessivos espectáculos na capital do país.

A semelhança das edições anteriores, o festival rende homenagem a um grupo. Este ano será a vez do grupo de teatro-dança cabo-verdiano Raiz di Polon, uma continuidade que, segundo a organização, prova a importância do intercâmbio cultural.

A reverência ao grupo que vai ao Brasil exibir a peça “Cidade Velha” deve-se ao seu contributo em torno do desenvolvimento do teatro durante os seus onze anos de existência. Paralelamente ao que é a atracção principal, o programa reserva para os dias 26 e 27, no Teatro Nelson Rodrigues, uma sessão de debates na habitual “Mesa dos Debates”, bem como uma “Conferência de Intercâmbio da Dramaturgia da Língua Portuguesa”, com a participação da crítica, ensaísta e professora Tânia Brandão e historiadores e dramaturgos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Kito desfaz-se da Arosfran


Poucos meses depois de denúncias de investigadores norte-americanos que relacionavam os sócios libaneses dos três grupos com o financiamento do terrorismo, Francisco Dias dos Santos “Kito” e o seu sócio libanês, conhecido como Cassyme, já não têm mais interesse nas empresas Arosfran, Golfrate e Afribelg. Nas acusações, o principal visado era o empresário libanês Cassyme, que tinha o maior número de acções da Arosfran, grupo onde também estava associado Francisco Dias dos Santos “Kito”.

Segundo apurou o Semanário Económico, o novo proprietário, de nacionalidade francesa já avisou os trabalhadores que pretende fazer “mudanças profundas” e que não tem intenção de indemnizar quem deixar o grupo, atirando essa responsabilidade para os antigos patrões. Esta intenção é que causa maior preocupação aos trabalhadores do grupo, uma vez que Francisco Dias dos Santos e o seu antigo sócio já se desfizeram da empresa. Entre os trabalhadores em risco de ficar sem as respectivas compensações, em função do tempo de trabalho, estão pessoas com mais de 12 anos de serviço, sobretudo nas empresas do grupo Arosfran, o mais antigo.

A intenção do novo proprietário foi transmitida na semana passada, durante uma reunião na sede, localizada no Hojy-Ya-Henda que garantiu, no entanto, não ter intenções de despedir ninguém.

A Arosfran notabilizou-se no princípio dos anos 90, na venda de bens de consumo, como arroz, massa alimentar, frescos, farinha de trigo, óleo alimentar e tantos outros.

Mais tarde surgiram outras empresas que permitiram que o grupo desse saltos significativos. São os casos da divisão de segurança patrionial, a Zanuza, e também a fábrica de utensílios de plásticos.

Francisco Dias dos Santos diz ao Semanário Economico que não havia outra solução e a nova condição lhe deixa com uma lágrima no canto do olho. “Como empresa, ela (referindo-se a Arosfran)não existe mais. Caberá ao novo dono atribuir o nome que bem entender. Existiram em função disso alguns danos, mas a vida é assim. Vamos ter de aprender a conviver com esta nova condição.

Tivemos à frente da empresa durante muito tempo, mas infelizmente, por razões alheias à nossa vontade, tivemos que nos desfazer dela.

É uma empresa que já liderava o mercado da distribuição alimentar há longos anos, fruto de um trabalho aturado. Muitos dos actuais trabalhadores nos ajudaram a erguer este “edifício Arosfran”.

Francisco Dias dos Santos anuncia que o novo dono da Arosfran é de nacionalidade francesa, em representação de outra entidade.

Historial

Fundada a 21 de Janeiro de 1991, a Arosfran absorveu uma considerável mão-de-obra, em momentos críticos da vida económica do país. Estima-se que a empresa possuía mais de três mil trabalhadores nas diversas aéreas e sectores que compõe a empresa, nomeadamente, pessoal administrativo, gerentes de armazéns, caixas, operários da fábrica de utensílios de plásticos, motoristas e pessoal da segurança patrimonial.

Para além de Luanda, a empresa estava representada em algumas províncias do centro e sul do país, concretamente, Huambo, Bié, Benguela, Huíla e Namibe.

A Arosfran tem ainda interesses nas províncias de Malanje, KwanzaSul, Cabinda, Moxico, Kuando Kubango e Luanda.

A empresa mantém também escritórios nas províncias das Lundas Norte e Sul. Quanto a Afribelg, os seus supermercados estão instalados nas províncias de Luanda, Cabinda e Benguela. A criação da empresa teve as impressões digitais de Artur Almeida e Silva, que depois se desvinculou da mesma. Até então líder do mercado de distribuição de géneros alimentícios, está anunciado o fim daquela empresa que simbolizou o sustento de muitas famílias.

Miguel Kitari
4 de Julho de 2011 00:24

O combate à corrupção é automaticamente visto como um combate ao regime’


O fenómeno da corrupção, na situação actual da governação, é causa de perda de legitimidade democrática, por observar-se a degradação da confiança entre os vários actores, no caso o Estado e o cidadão, considerou o dirigente do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, quando dissertava sobre “A corrupção no contexto angolano”, na conferência organizada pela Associação Justiça Paz e Democracia. “O Estado, aos olhos do cidadão, deixa de ser uma pessoa de bem, uma vez que os seus agentes não agem na base do interesse público, pois observa-se o fenómeno da delapidação do erário público”, afirmou o político.

A circunstância acima descrita revela uma situação de injustiça social, rompe com o princípio de equidade diante dos cidadãos, leva à degradação da noção do Estado, encoraja e permite o caos, explicou aquele politico que, de igual modo, alega não conferir legitimidade ao Governo na luta contra a corrupção que em Angola é considerada como um cancro só equiparável à guerra recente.

Dos vários contextos que levaram o país a albergar a prática da corrupção, aponta que no período da luta pela emancipação, houve o protonacionalismo, onde os movimentos de libertação nacional tinham o costume de concentrar os fundos em torno do presidente; a instituição do auto-consumo, após a independência e a concentração económica que permitiu a viabilização da corrupção a partir do sistema.

Em 1992, com a introdução da economia de mercado, a concentração do Estado começa a dispersar-se para os particulares, verificando-se uma acumulação primitiva da propriedade, na qual os grandes beneficiários foram aqueles que controlavam o aparelho do Estado. Porém explica que essa liberação foi dirigida a um determinado grupo.

“Nós não fizemos uma liberação completamente aberta, e continuamos a fazer uma liberação dirigida a um grupo. Se no tempo colonial a grande descriminação era para a massa africana, o próprio liberalismo português não foi tão liberal quanto a isso. Nós hoje através da liberação política, estamos a seguir praticamente o mesmo caminho”, facto que, segundo explica o economista, retira potenciação à economia e cria muita injustiça, porque não permite a nenhum gestor público nem eficácia, nem equidade.


Constituição facilita a corrupção
O economista enquadrou, por último, a Constituição de 2010 no contexto da corrupção em Angola, pelo facto dela traduzir-se numa excessiva centralização de poderes no Presidente da República.

Segundo Filomeno Vieira Lopes, que recorreu à teoria da corrupção para explicar a seus argumentos, “seja qualquer poder em que exista um poder muito concentrado e pouca responsabilidade, há uma longa lista de saques, pilhagens e lucros não legítimos”. Com a não existência de um sistema de controlo de bens públicos, órgãos institucionais que permitam o “sistema de equilíbrios”, para apartar uma absolutização do poder, é inevitável que a corrupção exista.

Porém disse entender que o caso de Angola é muito grave.


Canais da corrupção
Na sua intervenção identificou igualmente os canais económicos muito intimamente relacionados com a forma do poder político, destacando em primeiro as doações directas, a via bancária, os negócios com as comissões chorudas, com particular realce no sector da construção, bem como o uso excessivos dos recursos públicos para a criação de empresas privadas.

No domínio da exploração diamantífera, diz que em termos de dados internacionais, os números que são publicados em Angola, não correspondem de facto com aquilo que é explorado.

Durante a sua longa intervenção caracterizou que a prática da corrupção é feita nas escalas de baixa e alta intensidade. A alta permite a acumulação de riquezas para posteriores investimentos, situando-se mais ao nível dos altos sectores da hierarquia do Estado e redes organizadas.

Já a corrupção de baixa intensidade vai permitindo a melhoria de vida, possibilita ascensão social de algumas pessoas, mas pode ser, segundo o seu entendimento, um jogo de soma zero.


A insuficiência no combate à corrupção
Por outro lado, considerou que existe uma insuficiência de mecanismos de combate à corrupção. Num plano de fundo político, os poderes de representação tornam-se autónomos, desprezam os poderes populares e levam a cabo os seus próprios interesses, obedecendo aos seus programas, resultando dai a privatização do Estado.

No seu entendimento, as instituições que poderiam dar uma lufada de ar no combate à corrupção, tal como Tribunal de Contas e as inspecções, dentre outras, adoptam posturas perfeitamente insuficientes.

Combater a corrupção é combater o regime Por tudo o exposto, o membro do Bloco Democrático concluiu que a promiscuidade que existe entre a política e a economia potencia a corrupção, além de considerar que este fenómeno tornou-se praticamente aceite.

No entanto, disse que na fase actual está-se a conduzir o país para a situação de um Estado cleptocrático, o que não é agradável para Angola, sendo que o grande problema é o facto de existir uma interdependência entre o regime actual, a construção social de uma classe e a corrupção, facto que demonstra a corrupção como pilar fundamental da constituição do sistema.

Numa visão muito céptica, o economista considerou que “o combate à corrupção é automaticamente visto como um combate ao regime”, que vai conduzir à sua ruína, mencionando vários exemplos para argumentar a sua posição.

Explicou que esta é uma das razões da não implementação da Alta Autoridade Contra a Corrupção, bem como a ineficácia das leis que combatem essa prática.

Valdimiro Dias

Lei contra a violência doméstica é bem-vinda para a igreja do sétimo dia


A Presidente do departamento de apoio as famílias da igreja adventista do sétimo dia, Ester Paulo Jaime, disse que a recente aprovação pelo executivo da lei contra a violência domestica é bem-vinda, já que a igreja adventista sempre primou pela união das


“É porque nós aceitamos tudo o que Deus manda, e o nosso governo também, é de lá onde vem a lei o nosso governo nos ajudou muito nesse aspecto, porque nós anteriormente sofremos muito, mas agora estamos felizes porque já podemos falar com voz alta que a violência não pode existir, tanto faz no governo como dentro da igreja”, esclareceu.

Fonte RNA

domingo, 3 de julho de 2011




Constituir grupos de intervenção em debates de fim de semana sob orientação de um corpo de piquete; ameaçar, ou agredir de forma velada, cidadãos que se aprestem a participar de manifestações públicas contra o Executivo. Fontes independentes dizem, entretanto, que tal medida é uma "assanhadisse" da inteira e exclusiva responsabilidade de Bento Bento, na medida em que, asseguram as nossas fontes, a direcção do partido no poder tem apelado à tolerância política e a unidade na diversidade entre os angolanos. É caso para perguntar: o que faz correr Bento Bento?