segunda-feira, 13 de junho de 2011

Angola: Jornalistas contestam Comité de Especialidade do MPLA

Mais de 100 jornalistas dos vários órgãos privados e públicos das províncias do Namibe, Cunene e Huíla contribuíram para o enriquecimento do pacote legislativo da comunicação social.

Os debates decorreram na Sala Nobre da Administração Municipal do Namibe conduzidos pelo vice-ministro da Comunicação Social, Miguel de Carvalho “Wadjimbi”.

O projecto de decreto sobre o Estatuto do Jornalista, capítulo 1, artigo 3, sobre o acesso à profissão de Jornalismo que pede como habilitações literárias o curso médio de jornalismo ou superior e numa altura em que as escolas de jornalismo estão confinadas em Luanda, foi um dos temas mais candentes que suscitou discussão. O jornalista, editor chefe da RNA no Namibe, Esmael Pena, considera herói os jornalistas da província que apesar de enfrentarem dificuldades sociais e a ausência de escolas de jornalismo na província, têm sabido corresponder com profissionalismo às exigência que se colocam no mundo da comunicação social.

«Somos heróis porque nos momentos difíceis quando os outros estavam a se formar, nós asseguramos isto com elevado dever e sentido profissionalismo, por isso, não podemos aceitar que sejamos tratados de qualquer forma. O CEFOJOR deve-se instalar também nas províncias e não apenas em Luanda.»

Ainda no domínio do projecto de decreto sobre o estatuto do jornalista, foi levantada a questão dos Comités de Especialidade de Jornalistas do MPLA. Para os profissionais, é tempo de se rever a questão, pois a existência de jornalistas do MPLA, empresários do MPLA, médicos do MPLA e outros, desvirtua o verdadeiro sentido do próprio partido no Poder que tem como princípio unir, sob o lema um só povo, uma só nação. Rosy da Conceição, jornalista ao serviço da Rádio 2000, no Lubango, é uma das vozes discordantes da existência dos comités de especialidade de jornalistas do MPLA.

«O debate foi muito bom, gostei. Eu sou apartidária, acho que em Angola não podem existir jornalistas do MPLA, médicos do MPLA, isto é grave», disse.

Sugeriram ao Ministério da Comunicação Social a necessidade de se aprofundar a questão das categorias profissionais, relativamente ao artigo 5 que consideram pobre.

No concernente ao artigo 9 do projecto sobre Estatuto do Jornalista, sobre as fontes, foram igualmente reflectidas as prisões arbitrárias aos jornalistas no exercício das suas funções e apreensão do material, factos propensos nas províncias do Namibe e Huíla.

O Cefojor - Centro de Formação de Jornalistas - deve se instalar pelo menos em três eixos principais, sendo norte, centro e sul para a formação em jornalismo dos jovens vocacionados à profissão.

domingo, 12 de junho de 2011

Vadiagem


Naquela hora já noite

quando o vento nos traz mistérios a desvendar

musseque em fora fui passear as loucuras

com os rapazes das ilhas:

Uma viola a tocar

o Chico a cantar

(que bem que canta o Chico!)

e a noite quebrada na luz das nossas vozes

Vieram também, vieram também

cheirando a flor de mato

- cheiro gravido de terra fértil -

as moças das ilhas

sangue moço aquecendo

a Bebiana, a Teresa, a Carminda, a Maria.

Uma viola a tocar

o Chico a cantar

a vida aquecida com o sol esquecido

a noite é caminho

caminho, caminho, tudo caminho serenamente negro

sangue fervendo

cheiro bom a flor de mato

a Maria a dançar

(que bem que dança remexendo as ancas!)

E eu a querer, a querer a Maria

e ela sem se dar

Vozes dolentes no ar

a esconder os punhos cerrados

alegria nas cordas da viola

alegria nas cordas da garganta

e os anseios libertados

das cordas de nos amordaçar

Lua morna a cantar com a gente

as estrelas se namorando sem romantismo

na praia da Boavista

o mar ronronante a nos incitar

Todos cantando certezas

a Maria a bailar se aproximando

sangue a pulsar

sangue a pulsar

mocidade correndo

a vida

peito com peito

beijos e beijos

as vozes cada vez mais bebadas de liberdade

a Maria se chegando

a Maria se entregando

Uma viola a tocar

e a noite quebrada na luz do nosso amor...



(Poemas, de António Jacinto

sábado, 11 de junho de 2011

Benguela a beira de um acidente ecológico


Trabalhadores da antiga fábrica de papel na Província de Benguela, pedem ao Governo local para contratar com máxima urgência especialistas para desactivar o reservatório de Electrólise, devido o perigo que representa uma vez que está colocar em risco a vida de centenas de pessoas.

Agostinho Chimba, representante do departamento florestal, disse à TPA que a antiga fábrica de papel está paralisada desde 1983 devido o conflito armado.

“Recentemente registou-se uma fuga de descarga de electrólise e provocou uma substância tóxica, causando desmaios a várias pessoas que se encontravam a oitenta quilómetros da fábrica,”frisou o Agostinho Chimba.

Fonte TPA

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inconstitucional Proibir Deputados de fiscalizarem o Governo


A organização não governamental Twayovoka considera inconstitucional a medida do presidente da Assembleia Nacional, António Paulo Kassoma que proíbe os deputados de fiscalizarem as actividades do governo.

Viriato Nelson Albino coordenador de projectos daquela associação disse à Voz da América que nas comunidades locais em Benguela, a população está ávida em interagir com os deputados para exporem os seus problemas.

Em contrapartida, acrescenta o activista, os parlamentares limitam-se a não aparecer nas comunidades alegando que não estão autorizados a exercer o controlo e fiscalização dos actos do executivo.

O despacho parlamentar 0217/03/2010 suspende temporáriamente a acção fiscalizadora da Assembleia Nacional declarando haver necessidade de se estabelecer um quadro normativo para o exercício.

Albino referiu que a orientação do presidente da Assembleia Nacional atropela o artigo 162 sobre a Competência de Controlo e Fiscalização da Assembleia Nacional.

“ Para alem de ser uma grande inconstitucionalidade porque viola directamente a própria Constituição, retira a natureza jurídica daquilo que é a função dos deputados,” disse.

“Quando os deputados não interagem com as comunidades já não estão a representar a própria comunidade; quando os deputados já não conseguem fiscalizar a actividade do executivo já não estão a exercer o papel da fiscalização,” disse Viriato Nelson Albino.

Com o financiamento do governo americano através Agencia Internacional para o Desenvolvimento (USAID) e do Instituto Democrático Nacional (NDI), a Twayovoka tem desenvolvido acções de formação nas comunidades em Benguela com vista a capacitação do cidadão para a sua interacção com os deputados.

Foto: AngoNotícias - A Assembleia Nacional.

terça-feira, 7 de junho de 2011


[João Salvo e Flávio Massua] Maria de Lourdes, 46 anos, soletra o que escreveu a lápis no caderno, três meses depois de frequentar, com regularidade, as aulas de alfabetização no alpendre do mercado Portão do Leste, em construção nos arredores da cidade de Saurimo.

domingo, 5 de junho de 2011

Benguelenses vêm nos bolsos o aumento do preço do pão


Os consumidores de Benguela já estão a sentir no bolso o acréscimo de 10 para 15 kuazas no preço do pão. Um “aumento inevitável” de 50% justificado pelos operadores de indústria de panificação, pastelaria e similares pelo agravamento dos preços das matérias primas como a farinha, água, açúcar e óleo.
O pão carcaça de 100 gramas, que custava 100 Kuazas, está agora a ser vendido nas padarias da cidade de Benguela por 15 Kuazas. Já o pão carcaça de 50 gramas passou de 60 Kuazas para 80 Kuazas. Um “aumento inevitável e justo”, tendo em conta a “situação insustentável” do agravamento do preço das matérias primas, justificaum os responsável pela padaria Sorene, Pão Quente, e outros.
Segundo, as outras padarias situadas na na cidade de Benguela, também aumentaram o preço do pão, com a necessidade de “manter os postos de trabalho”. “Prefiro subir o preço do que fechar as portas e mandar toda essa gente para a rua”, desabafa, informando que já ouviu algumas reclamações dos clientes, que no primeiro dia da actualização compraram menos.
Numa passagem por outras padarias da Capital Benguelese pôde constatar que esta subida do preço do pão está a deixar os consumidores e rabidantes à beira de um ataque de nervos. Alguns responsável de padaria, dizem que é uma situação desagradável para toda a gente, mas não havia alternativa, tendo em conta o aumento do preço da da Farinha que esta a custar 4100 Kuanzas e outras matérias primas. Ainda assim, a donos de padarias informa que todas as operadoras chegaram a um acordo para estabelecer preços uniformes de modo a evitar a concorrência desleal. Contudo, apela ao Governo que tome “medidas urgentes” para regulamentar o sector e os preços.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Tempo não requer tempo

Sento-me no sofá e ouço o contar do relógio
Fico aqui a consumir tempo sem percebê-lo
Esse tempo que versejo, com privilégio
Não faço perguntas. P’ra não desperdiçá-lo.

Parar o tempo não será minha vontade
Farei dele infinito por viver momentos
Grandiosos serão até à minha tenra idade
Nessa sentirei tempo a correr entre os dedos.

Morro com momentos que não desperdicei
Já mais esquecerei aqueles com os amigos
Sem intenção. Lágrimas no rosto os deixei
Pois minutos ficam p’ra serem consumidos.

Joel Fonseca Reis (08.Abril.2011)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quando o petrólio acabar o povo de Cabinda tem que sobreviver


O activista angolano Elias Isac participou na assembleia-geral da Chevron, onde pressionou os responsáveis da petrolífera para porem termo à poluição do Mar de Cabinda. Isac disse à Voz da América que saiu da reunião com algum optimismo.
Há muito que ambientalistas e pescadores se queixam: os derrames de petróleo do Mar de Cabinda estão a destruir o pescado e a Chevron não está a fazer o suficiente para resolver o problema.
Pela segunda vez consecutiva, Elias Isac, da organização Open Society de Angola, foi à reunião magna dos accionistas, que este ano se realizou em São Francisco.
"Vim aqui trazer petição dos pescadores de Cabinda que apelam à Chevron para ter um comportamento mais responsável", disse acrescentando que "o povo não tem meios de sobrevivência porque as águas de Cabinda estão cada vez mais poluídas" Fez questão de frisar que "não há pescado e as pessoas estão mais empobrecidas" devido à poluição decorrente da exploração de petróleo.
Elias Isac prosseguiu a dizer que não está a pedir o impossível, mas apenas a insistir que "há necessidade de a Chevron procurar alternativas de longo prazo para que, quando o petrólo acabar, as populações possam continuar a viver em Cabinda".
Isac disse que está mais optimista este ano quanto ao sucesso do seu apelo, visto que, para além das organizações não governamentais, outros accionistas da empresa se interessaram pelo caso e pediram contas à direcção da Chevron.
"Acreditamos que a Chevron pode fazer melhor, mas os executivos da empresa estão mais interessados em fazer dinheiro do que no prejuízo das populações", disse.
Concluiu afriando que prova disso é o dinheiro que a Chevron gasta em campanhas de relações públicas quando essa verba seria mais bem aplicada no terreno em benefício das populações.


Foto: Armando Chicoca - Pescadores.

quarta-feira, 1 de junho de 2011


Olá, meu povo e minha "pova" (hahahaha) !!!
Tudo bom com vcs ?
Essa semana, eu fiquei espantada com uma cena que vi na tv e que contraria uma das minhas principais convicções.
Eu, desde pequeno, aprendi que amante e namorada têm papeis muito definidos, quais sejam: amante é a enganadora/algoz e a namorada é a enganada/vitima. Sempre tive isso como uma certeza. Para mim, a traição sempre foi escandalosa...moral e eticamente condenável em todos os sentidos.
Digo "todos os sentidos" pq a traição pode ter vários aspectos:
trair amigo;
trair namorado/a;
trair familia;
trair principios;
trair convicções....
e etc.
Em todas essas formas, a traição sempre teve um conotação negativa para mim...sabem como é, né ?! Eu sou do time "fora a traição" (rsrsrs)....nunca gostei msm.
Enfim, essa é a minha opinião, mas é, claro, que isso não significa que esteja certa....opinião é algo pessoal e só estou expondo a minha....alias, estou aberto a saber as opiniões de vcs sobre o assunto. Afinal, a vida é belissima, exatamente, pq comporta todos os tipos de diferenças (pessoas diferentes, cabeças diferentes, opiniões diferentes, gostos diferentes...e etc).
Desde já, esclareço que não pretendi ofender a ninguém.....como disse, eu repito: foi só a exposição de uma opinião. Caso tenha magoado alguém, peço, infinitas, desculpas.

Os acordos

Os Chefes de Estado e de Governo, bem como os seus representantes vão assinar um acordo de cooperação entre os países participantes da cimeira das bacias florestais que vai decorrer no Conco Brazaville, anunciou o Ministro do desenvolvimento sustentável congolês, em Luanda, na Terça – feira, 31/05.


A saída da audiência que lhe foi concedida pelo Chefe der Estado angolano Henry Djombó, explicou que o acordo estará relacionado com as matérias florestais.

“Vão fazer uma declaração comum sobre as florestas tropicais, as mudanças climáticas, e o desenvolvimento sustentável”, informou.

O emissário congolês reconheceu Angola, como um grande actor ao nível da África central, e em particular o Presidente José Eduardo Dos Santos, daí o pedido de contribuições para o sucesso desta cimeira.

“Esperamos uma boa representação de Angola, sobretudo, do seu Presidente”, reiterou.
De notar que, a Reunião vai congregar chefe de Estados e de Governo de cerca de 30 país, e vai definir uma base de trocas de informações, experiências, para promover uma cooperação dinâmica no domínio das florestas dos países pertencentes a região.